Capítulo 05
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Capítulo V
Welcome to Corpus Christi
Point of View: Victoria Foster
- Tom, eu não aguento mais
ouvir Blink! Parece que tudo é igual. – impliquei tentando tocar no som do
carro.
- Tira a mão daí, porra! –
ele gritou dando um tapa forte.
- Meu Deus! Quanto tempo
mais para chegar? – cruzei minhas pernas com raiva. Infelizmente o carro era
dele, então eu teria que esperar.
- 18 minutos. – avisou e
aumentou o som – Vamos lá! É Blink 182!
- É a minha morte. –
resmunguei afundando no banco.
Passamos por vários cantos
lindos antes de chegarmos a magnífica Oxford. Parecia um sonho ver aqueles
muros antigos e imaginar que todos os dias estaria ali, andando por dentro
deles! Mesmo sendo uma visita já era o suficiente para me sentir consumida pelo
ar universitário.
Tom estacionou o carro e
logo que desci:
- Amiga!
Ouvi a voz de Lucy e de
repente a mesma pulou em mim:
- Oi! Se você não sabe, nos
vimos ontem! – sorri deixando-a me abraçar.
- Ah, mas senti saudades. –
ela me apertou animada – Oi, Tom. – fez um rosto sério para o garoto que a
ignorou e depois voltou a me olhar – Não é a coisa mais linda que os homens
podem ter feito?
- Ai, amiga! – falei com a
voz fina – É sim! A coisa mais perfeita que já vimos!
- Tom, Vicky! – Nathan
apareceu, vindo nos cumprimentar – Como foi a viagem?
- Legal.
- Chata.
Olhei desafiadora para meu
namorado. Passar mais de uma hora ouvindo Blink às vezes é torturante.
- Hey, aqueles não são Katy
e Max? – Lucy apontou para algum lugar.
- São eles sim! – afirmei
assustada.
- Aê, gente. – Max falou
cumprimentando malandramente os garotos.
- Ai, minhas doçuras! – Katy
exclamou pulando no meu pescoço e da Lu, quase nos matando sufocadas – Não
sabem como eu pedi a Victoria’s Secret para que eu pudesse vê-las novamente.
- Mesmo? – disse incrédula.
- Mesmo, mesmo, mesmo! – nos
soltou e sorriu – Tom! – abraçou meu namorado que nem ousou tocar no corpo da
garota, estava paralisado demais para isso.
- Katy Whore. – ironizou
após vê-la indo para o lado de Max.
- Como está o coração de
vocês para a visita? – Max falou nervosamente animado – Só sou eu ou parece que
tudo é foda?
- É só você. – Tom falou com
descaso e o olhamos repreendendo – Qual é! É uma Universidade, não a Afrodite
pelada.
- Ignorem. – Nathan fechou
os olhos parecendo incomodado com a presença de Tom, o que me fez rir.
- Senhores visitantes, por
favor, juntam-se aqui. – uma senhora vestida de paletó azul navy chamou.
Andamos em grupo até ela,
junto com pessoas que pareciam ter a mesma idade que a gente:
- Hoje mostraremos a vocês
onde fica a Corpus Christi College, onde irão estudar. – avisou – Além de
aprenderem os locais mais importantes que irão frequentar daqui para frente,
também levarão seus documentos à secretaria, vão ver o Diretor e conhecer seus
alojamentos. Alguma pergunta?
- Senhora...
- Stwick.
- Nos alojamentos poderemos
escolher com quem morar? – uma garota qualquer perguntou.
- Se tiverem planejado morar
com determinado grupo aqui na Corpus, indico que a inscrição dos participantes
sejam feitas juntas, pois a organização do alojamento é arrumada por ordem de
matrícula. – ela suspirou – Após alguns pedidos começamos esse programa na
faculdade, pois estava havendo muitos desentendimentos entre os estudantes
desconhecidos. - fez uma pausa e prosseguiu – Mas se ainda tiver vaga no
apartamento, qualquer um poderá ser encaixado.
- Os homens e mulheres são
separados por ala? – Tom perguntou.
Tinha que ser ele.
- Num mesmo alojamento terá
duas alas que ficarão de lados opostos. – olhou, por cima, para cada estudante
– Mais alguma pergunta sobre a moradia?
Ficaram em silêncio, então
mais nenhum curioso queria falar.
- Não sei por que eles
perguntam, todo mundo vai receber um caderno com regras e um livro com as leis
de Oxford. – Max sussurrou.
- Tenho certeza que vai
querer saber as leis de cor, não é George? – Tom brincou.
- Vou querer saber, porque
será mais fácil de arranjar uma maneira de te expulsar. – Max retrucou, fazendo
todos rirem da cara do meu namorado.
Seguíamos o fluxo observando
os monumentos bonitos da Universidade.
Estudantes antigos olhavam o
grupo interessados nos calouros. Seriamos vítimas desses aproveitadores, logo,
logo:
- Chegaremos em Corpus
Christi daqui a 6 minutos. – a senhora falou – Espero que ninguém se perca no
caminho, pois imagino que não exista nenhuma criança aqui.
- Ai, mulher chata. – Lucy
revirou os olhos andando mais atrás com Nathan.
Após os 6 minutos avistamos
um lindo castelo de pedras castanhas e, passando por um arco, entramos no pátio
da aconchegante faculdade:
- Ela parece tão tranquila.
– Katy observou e concordei com a cabeça.
Parecia o tipo de lugar que
todos eram amigos.
No meio do pátio um mastro
de pedra branca, com um pelicano curvado sobre uma bola e detalhes em ouro. Uma
garota sentada próxima ao monumento lia seu livro, distraída.
O castelo baixo seguia ao
redor do pátio com algumas plantas verdes próximas as paredes. Tinha torres
quadradas e chão de pedra:
- O primeiro grupo, virá
comigo para a secretaria, o segundo irá com o guia para os alojamentos. –
informou a mesma senhora.
- Estamos em que grupo? –
Nathan perguntou em um sussurrou.
Olhei em minha carta de
Oxford:
- Estou no primeiro. –
informei.
- Eu também. – disse Lucy.
- Estou no segundo. – falou
Katy – E você Max?
- Segundo. – ele sorriu para
ela.
- Tom? – olhei para meu
namorado.
- Segundo grupo. – revirou
os olhos.
- Estou com vocês. – Nathan
mostrou o número na carta para nós – Primeiro grupo.
- Mas espera. – Tom falou –
Se vamos nos separar, como vamos nos escrever juntos para os alojamentos?
- Acho que depois eles vão
nos deixar livre para isso. – Max sugeriu – Então – apontou para mim, Nathan e
Lucy – Não se escrevam até a gente chegar perto.
- Tudo bem. – Lu concordou.
- Sigam-me, por favor. – a
senhora falou.
- Tchau. – dei um beijo de
leve em Tom antes de seguir com meus amigos.
Ele iria se ferrar ao lado
de Max e Katy!
Entrando por mais um arco,
caminhamos por um corredor iluminado por lâmpadas presas a parede, de estilo
antigo. Não demorando, a secretaria se tornou visível:
- Aqui vocês farão a
confirmação de participação na Corpus Christi. A inscrição não será feita
agora. – apontou para algumas cadeiras – Sintam-se a vontade e sejam educados,
por favor. Precisarão da carta de aprovação para os documentos de agora. Quanto
terminarem voltarei para buscá-los e iremos ao alojamento. Sejam bem-vindos a
Corpus Christi College de Oxford.
- Estou me sentindo tão
foda. – Nathan falou – Eu nunca me imaginaria num lugar assim. – olhou ao redor
enquanto uma fila se formava em ordem alfabética de acordo com o que uma
secretária gorducha informava.
- Acho que a Vicky e o Max
eram os únicos que tinham certeza de estar aqui. – Lu disse sorrindo e Nathan
confirmou com a cabeça.
Eu não sou nerd feito o Max!
- Nathan, acho que você não
deveria estar aqui. – apontei.
- Por quê? – ele olhou
confuso para a fileira.
- Seu nome, se você não sabe
– ironizei – Começa com N de Ninguém.
- N de Não Faz Bullying. –
Lucy o defendeu fazendo cara feia para o meu lado – Não se empolga amiga. –
sorriu falsamente.
- Ah, desculpem. – imitei a
cara dela, fazendo-a rir depois – Vai logo, Nathan!
- Ta, ta! – ele revirou os
olhos – Tchau amor. – beijou a Lucy e sumiu.
- Pensava que ele não ia
embora. – minha amiga falou cruzando os braços e balançando a cabeça. Olhei
para ela incrédula – Qual é, eu preciso fofocar com você sobre a prima dele,
mesmo que cheguemos atrasadas na fila.
- Sabia que você ia querer
falar sobre a Katy! – soquei o ar – Você ama mais uma gossip do que o próprio
namorado. Que decepção, Lucy! – coloquei a mão em seu ombro, fazendo-a me olhar
com desdém.
- Ah, porra. – começou –
Fofoca é profissão, Nathan Sykes é puro lazer. – jogou os cabelos para trás – O
que você achou da Katy? Suspeito, não?
- Muito! A menina sumiu o
resto das férias de Nova Iorque e agora aparece como se nada tivesse acontecido
com ninguém. – me aproximei da minha amiga – Principalmente com o Max.
- É sério, cat. – fechou os
olhos cruzando os braços – Max tem titica na cabeça. A garota causa aquela
briguinha pra ir embora e ele ainda tá de quatro por ela!
- Você vê agora o quanto ele
é bocó? – falei esperando uma luz surgir na cabeça devagar da garota.
- Ah, e como vejo! Ele não
se dá ao valor. Se tivesse se imposto, já teria pegado ela definitivamente há
muito tempo atrás. – disse em tom revoltado.
- Concordo com você. Katy
precisa de um choque, mas isso nunca virá do Max, do jeito que ele é lesado. –
suspirei – A gente tenta colocar ele no rumo certo, mas não tem jeito.
- Pau que nasce torto, nunca
se endireita. – Lucy cantarolou – Eu só quero ver como será a convivência dos
dois.
- Do mesmo jeito que foi em
Nova Iorque. – olhei para frente, vendo cinco alunos serem atendidos – O único
problema é que agora vamos presenciar a confusão deles.
- Infelizmente. – Lu revirou
os olhos – Porque, parando para pensar, vai sobrar para a gente juntar os cacos
de Thomas George.
- Será que algum dia a Kay
vai sair machucada nessa história? – fiz um rosto pensativo.
- Se o Max mudar, talvez, se
ele continuar na mesma, nunca. – Lucy respondeu e suspirou – Sinceramente,
espero que o fato de estarmos juntos todos os dias não afete em nada nosso
relacionamento.
- Mas já somos acostumadas a
ficar juntas. – falei sem compreender.
- Não me refiro a você, mas
ao resto. – ela me encarou – Você convivendo com Max, eu convivendo com o Tom,
Tom convivendo com o resto do grupo... – Lucy sorriu ao me ver ficar séria – É
brincadeira. Só estou querendo dizer que uma coisa é nós aturarmos eles por
algumas horas, outra coisa é termos de olhar a cara desse povo por 24 horas.
- Ou quase isso. Acho que
vou passar mais tempo transando com Freud do que com o Tom. – comentei fazendo
Lu gargalhar – É sério! Eu, você e o Max estamos ferrados para ler aqueles
livros gigantes!
- Ai, amiga. – colocou a mão
na testa como se tivesse passando mal – Estou cansada já de agora.
- Preguiçosa é o seu
sobrenome, minha filha. – brinquei e ela me abraçou de lado.
Fofocamos mais um pouco
sobre os outros, claro, porque é muito mais divertido, e logo Nathan foi
atendido, esperando chegar a nossa vez. Infelizmente fiquei como uma das
últimas.
Voltamos pelo mesmo
corredor, passando pelo segundo grupo. Cumprimentei Tom de longe, que fez sinal
de forca apontando para o casal que seguia ao lado. Nós três rimos dele.
Chegando ao alojamento, de
fora, era quadrado com as mesmas pedras castanhas:
- Esse é um modelo de
alojamento que vocês ficarão. – a senhora falou enquanto entravamos. Uma sala
de estar e, no fundo, duas escadas separadas por uma parede – Lado esquerdo:
homens. Direito: mulheres. – informou enquanto estávamos parados na sala, que,
pelo que parece, era mista.
Como se fosse o salão
comunal de Harry Potter.
Subimos a escada da direita,
entrando no primeiro apartamento para garotas, grande o suficiente para três
pessoas:
- Em alguns prédios cabem
por apartamento 3 alunos e 4 alunas, em outros o número muda, passando para 4
alunos e 3 alunas. Resumindo, os alojamentos revezam.
- Espero que a gente só
pegue o de 3 garotas. – falei – Já imaginou vir morar com a gente uma louca?
- Nem fale nisso que fico
até com uma coceira nervosa! – Lucy fingiu se coçar, fazendo-me rir.
- Eu não quero que tenha
outro cara além do Tom e do Max! Já é doido o suficiente pra meu cérebro. –
Nathan falou dramático.
- Eu prefiro que você se
foda ao invés de mim. – Lu sorriu carinhosamente, como se não tivesse dito algo
maligno.
- Quero é novidade. –
comentei irônica sobre ela.
- ‘Licença. – disse
fingidamente séria, fazendo cara de quem ignorava.
Passamos mais algum tempo
ouvindo a explicação sobre o alojamento e o que me deixou mais feliz foi o fato
de não termos que dividir banheiro com outros, que em cada apartamento tinha um
particular.
Aleluia!
- Tom! – gritei o nome dele
enquanto chegávamos ao pátio – Como foram as coisas?
- Horríveis! – pegou minhas
mãos e passou pelo seu corpo – Eu não sei como consegui sobreviver àqueles
dois! – arregalou seus pequenos olhos – Depois dessa consigo viver na Etiópia!
- Do jeito que você come,
duvido muito. – falei rindo.
- É. Tem razão. – ele
concordou com a cabeça – Gostou do apartamento?
- Aham. Estou ansiosa para
fazer a inscrição e podermos olhar onde vamos ficar! – falei tentando controlar
minha animação.
- Por tanto que tenha cama e
privada. – Lu disse chegando perto de nós – Hey, Tom. – sussurrou para meu
namorado – Ouvisse algo de importante entre Katy e Max?
- Vocês vão fofocar agora? –
perguntei assustada.
- Vi! Isso é o cassete do
ano! – Tom exagerou mexendo as mãos.
- Ta bom, ta bom! – falei
convencida – O que descobriu?
- Que quando Katy voltou,
ela e o Max não conversaram sobre o que aconteceu. – sussurrou e observou se
Nathan chegava perto, mas esse ouvia música, distraído – Max nem mesmo disse
sobre a fofoca que ficou em Atlantic Beach!
- Eu não digo! É titica! –
Lucy exasperou-se.
- Ele é um homem perdido. –
Tom falou em tom triste – Se o Max não fosse gay, eu o empurrava para fora do
barco.
- E o que o fato dele ser
gay tem a ver com isso? – perguntei.
- Se eu empurrar um gay o
meu navio será atacado pelo grupo das Barbies, que são suas amigas! – disse em
tom óbvio.
- Ah! Como eu não pensei
nisso... – falei irônica.
Cada doido com sua mania.
- Então, vamos para as
inscrições? – Max perguntou chegando perto.
- Claro! – Lucy sorriu
empolgada como se não tivéssemos falando mal dele segundos atrás.
- Vicky, que cara é essa? –
Katy perguntou me encarando.
Arregalei os olhos:
- Nada! Ainda estou viajando
por estar aqui. – menti, na verdade eu ainda tava presa ao fato de Max ser um
bocó com titica na cabeça.
- Vamos logo resolver nossa
moradia, antes que a secretaria fique cheia. – Nathan falou já andando e nos
chamando com a mão.
Ai, Oxford... Como é bom
respirar esse ar velho!
* * *
Point of View: Lucy Mason
- Senhorita Mason, pode
aguardar um instante... Tem algo de errado com sua documentação. Terei de falar
com o reitor. – a secretária que me atendia falou.
Olhei-a assustada:
- Tudo bem, mas... –
observei meus papéis em suas mãos – Algum problema?
- Nada para se preocupar. –
ela disse sorrindo simpática – Já volto. – concordei com a cabeça e a vi
entrando por uma porta lateral, atrás da bancada.
- Oi, por que o seu está
demorando tanto? – Max chegou perto de mim, curioso.
- Eu não sei. – dei de
ombros – Seria muita azar se tivesse algo de errado.
- Mas ela disse isso?
- Não. Pelo que entendi era
algo que tinha se resolver com o reitor e não comigo. – falei pensativa.
- Muito estranho. – ele
acompanhou minha expressão.
- Max, a Katy está te
procurando. – Nath chegou apontando para prima que tentava achar o ficante em
meio aos outros alunos.
- Ah, ok. Vou atrás dela. –
disse me deixando com o Nath.
- Já fez a sua inscrição? –
perguntei.
- Sim. Eu, Max e Tom. –
apoiou-se sobre a bancada de madeira escura – E a Vicky e a Katy?
- Só a Katy fez a inscrição.
A Vi está esperando que eu termine. – enquanto falava a mulher voltava ao seu
lugar.
- Pronto. Tudo resolvido. –
sorria aliviada – Pode assinar aqui, por favor?
- Claro. – coloquei meu nome
no papel e recebi outro.
- Aqui está o seu
certificado de aluno de Oxford e esse é o da Corpus Christi. – apontou os
documentos – Bem vinda, mais uma vez, Senhorita Mason.
- Obrigada. – sorri animada
guardando os certificados no envelope.
Chamei Vicky com a mão e ela
veio correndo:
- Sou a última e logo
poderemos ver o nosso apartamento! – ela exclamou ao entregar sua carta de
Oxford mais outras coisas a mesma secretária que me atendeu.
- Estou curiosa. – assumi.
- Eu também. – ela concordou
com a cabeça e parecia mais animada que eu ou Katy.
- E aê. – Tom chegou
agarrando a namorada por trás – Não aguentei passar mais tempo ao lado daqueles
pombinhos do século XXI.
Sorrimos:
- É tão esquisito pensar que
vamos morar juntos. – falei – Depois de todos esses anos sendo amigos,
finalmente isso irá acontecer e estou achando muito tosco. – balancei a cabeça
de um lado pro outro.
- Que seja tosco e sei lá
mais o que... – Vicky falava enquanto assinava seu nome – Só espero que dê tudo
certo.
- E se não der... – comecei.
- Eu mato quem está
estragando nossa felicidade. – ela sorriu maligna, fazendo-me concordar
loucamente com a cabeça.
- Bom! Agora temos que ir ao
prédio 20. – Nath olhou no papel e Tom chamou os outros com a mão.
Fizemos o mesmo caminho que
a Senhora Stwick havia nos levado algumas horas atrás. Dessa vez, o céu tomava
uma tonalidade escura, cobrindo o sol, indicando o início do fim de tarde.
Passamos por debaixo de uma
pequena ponte, que ligava os dois andares de cima do prédio de pedras, com os
mesmos materiais do que nos foi mostrado antes, como exemplo de alojamento, a
diferença era a arquitetura.
- Esse é o número 20? – Katy
perguntou olhando ao redor.
- Aham. – Max afirmou – Está
naquela placa. – e apontou para uma placa azul navy com os números em ouro, que
estava pregada na parede, em cima de um banco de madeira.
- O nosso prédio é mais
bonito do que aquela que ela nos mostrou. – falei emocionada – É tão italiano.
- Vai lá entender... E olha
que estamos na Inglaterra! – Vicky exclamou.
Nos lados desse banco, típico de praça, estava
jarros marrons de tulipas rosa, branca, violeta e laranja. Na parte oposta uma
escada para dentro do chão, de apenas dois degraus, que ficava em frente a uma
porta baixa de madeira castanho escuro e vidro. Para proteger o vidro havia uma
grade em formato de losango. Uma janela em arco em cada parede oposta, seguindo
o modelo da porta.
Entramos e logo veio a sala
de visitas, com sofás de madeira e acolchoados de azul escuro. Tapetes
vermelhos com detalhes em ouro, uma lareira e as paredes de pedra. Quadros
antigos de pessoas importantes em Oxford.
- Olá! Novos alunos? – um
rapaz que aparentava ter um pouco mais de 20 anos perguntou.
- Sim. – Max respondeu –
Você é...
- O guia. – disse –
Praticamente um monitor. – informou – Meu nome é Charles Morris, mas podem me
chamar de Charlie.
- Oi. – Katy falou simpática
demais.
- Posso ver os papéis sobre
o alojamento de cada um de vocês?
- Claro. – Vicky disse
entregando o meu papel, o dela e o de Katy.
- Ótimo... Apartamento 1023.
E o de vocês... – analisou os que Tom havia o entregado – 1018. Ok, só para
avisar: a sala em que estamos é a sala de passar o tempo, onde todos do prédio
podem se encontrar. No andar de cima, desse lado, fica os apartamentos dos
garotos. É onde está o de vocês. – olhou para Max, Tom e Nath – Aquela escada –
apontou para uma que estava próxima a lareira – Levará vocês até a ponte, e
depois da ponte, no outro núcleo...
- Esse que fica aqui em
frente? – perguntei.
- Exato. É onde está o
apartamento de vocês. No andar de baixo do núcleo dois, tem a sala de estudos.
É uma mini-biblioteca com mesas e alguns materiais que vocês possam precisar no
dia-a-dia estudantil. – confirmamos com a cabeça enquanto falava. Alguns alunos
desceram pela escada perto da lareira, sorriam e conversavam animados – Estou
responsável por 10 prédios e o último é o de vocês. Fico na ala norte, onde se
encontram as pessoas que tem dois anos de faculdade. – disse – O número do meu
celular está preso no quadro de avisos – apontou para o quadro que ficava preto
na parede que dividia as escadas – Se precisarem de algo, já sabem. Agora vou
levá-los aos apartamentos.
- O nosso pode ser primeiro?
– Vicky perguntou.
- Claro! - sorriu
Subimos a escada que havia
sido indicada. No patamar, um portal em arco para o lado direito nos levava a
pequena ponte de pedra, em cima, um teto de madeira que pendia uma pequena
luminária de luz incandescente. Mais alguns passos e chegamos ao núcleo dois.
Um corredor em T pintado de branco, já iluminado. Alguns quadros, uns jarros e
várias portas:
- Aqui está o apartamento de
vocês. – disse e paramos em frente a quarta porta do lado direito.
- Charlie! – uma vizinha
saiu – Estou com alguns probleminhas aqui, você pode me ajudar?
- Ah, claro. – ele falou
sorrindo – Podem ver o apartamento a sós?
- Sem problema. – Nath
falou.
- Depois, se quiserem,
levo-os para o outro núcleo.
- Não precisa. – Tom
balançou a cabeça sério – Pode ir curtir.
- Curtir? – Charlie
arregalou os olhos.
- ‘Estou com alguns
probleminhas aqui’. – Tom imitou a voz da vizinha – Estou ligado no tipo da
ajuda e te apoio completamente, cara! – fez sinal de legal, fazendo Charlie rir
sem jeito.
- Ok, você me pegou. Então,
vou indo. Se precisarem de mim...
- Ligaremos para o número
que está no quadro – Vicky falou.
- Exato. Tchau novatos.
- Tchau! – respondemos
sorrindo.
- Puta que pariu, Parker! –
Katy começou – Educação não é o seu forte.
- Como se fosse o seu. – ele
sussurrou irônico para Nath, que abafou a risada.
Entramos nervosas no nosso
lindo apartamento. Uma sala pintada de amarelo canário, com detalhes em
alvenaria castanho claro. Um sofá branco, mesa de centro e TV de plasma. Criado
mudo com telefone. Mais atrás uma mesa redonda de jantar, com um lustre baixo
retangular e comprido de cor cinza, um prato de mármore preto com pedras
redondas amarela, vermelha e azul.
Do lado da porta de entrada,
havia um bar, que dava vista para uma cozinha, onde tinha uma abertura lateral,
logo depois da bancada. Armários de madeira presos a parede, balcão branco e
pia de alumínio. Alguns enfeites vermelhos.
- Vamos para os quartos! –
Katy saiu andando apressada.
Na parede que dava fim ao
corredor, uma pintura com um pelicano.
- Posso pegar um quarto do
lado direito? – perguntei.
- Também quero um quarto do
lado direito! – Vicky falou.
Nós duas nos entreolhamos:
- Você fica com o esquerdo.
– dissemos juntas e ao mesmo tempo, encarando Katy.
- Fazer o que, né? – revirou
os olhos, mas sem ficar irritada.
Max entrou com ela em seu
quarto, Tom com a Vicky no dela e Nath comigo:
- Eu preciso provar a cama!
– ele falou se jogando no colchão fofo que balançou.
Sorri ao ver o lençol
laranja de elástico ser desarrumado:
- Acho que vou precisar de
algumas roupas de cama. – falei passando a mão pelo tecido fino.
Nath digitou no celular:
- Salvo. – disse me olhando,
apoiado de lado no próprio cotovelo – Ou vamos nos esquecer quando voltarmos a
Londres.
Concordei com a cabeça. Dois
dementes? Fodeu:
- Você está gostando daqui?
– perguntei meio encantada, olhando pela janela quadricular.
- Muito. – encostou-se confortável
no colchão, deitando-se sobre os travesseiros grandes. Subi nele, sentando-me
um pouco a cima da sua parte íntima – E você? – alisou minhas pernas.
- Estou adorando. – sorri
empolgada – Ai, Nath, estamos na faculdade! Não existe nada mais bonito que
isso!
- Existe sim! – afirmou
convincente.
- O que?
- Quando saímos dela. É a
coisa mais bonita que se pode acontecer! – brincou enquanto eu fazia cócegas
nele, fazendo-o rir.
- Falou o preguiçoso! – fiz
uma voz esganiçada.
- E você não está muito atrás
de mim. – gritou e parei de torturá-lo, deixando-o voltar ao normal aos poucos
– Embora eu prefira você na minha frente...
- Ai, porra! Só porque você está em uma cama tem que
pensar em putaria? – falei, tampando o rosto e rindo escondida, fingindo decepção.
- Não vejo problema nisso! –
exclamou sentando-se e quase me fazendo cair. Arrumei-me em seu colo – Estou
trabalhando no meu poder psíquico para poder olhar você pelada pela brecha da
fechadura.
Gargalhei:
- No seu caso, o máximo que
poderá ver pela brecha da fechadura são os grandes pelos pubianos do Tom! –
falei e gargalhei mais alto ainda – Pena que não vamos morar juntos. – forcei
uma ironia.
- Às vezes você humilha,
Lucy Mason. – cerrou os olhos, desafiador.
- Estamos em uma visita para
conhecer a Corpus Christi e não em uma degustação de motel. – Katy brincou
entrando em meu quarto.
- Tinha que ser a enxerida!
– falei e senti-a me puxar para um abraço, tirando-me de perto do Nath.
- Ah, mas é que agora eu
quero ver o quarto dos garotos, já que percebi o quanto o meu é perfeito! –
pude ver o brilho em seus olhos... – Tudo bem que vai precisar de uns ajustes
aqui e ali...
Depois de um tempo parei de
ouvi-la, pois pensava em outra coisa:
- A gente se esqueceu de ver
o banheiro. – disse a interrompendo.
- Não se preocupe amiga. –
Vicky apoiou-se na maçaneta – Tem bacia sanitária, papel higiênico, bidê, pia e
tudo aquilo que você precisa para agradar o seu xixi. – senti um sarcasmo na
sua voz.
- Obrigada pela gentileza,
Victoria. – fiz um rosto sério enquanto ela ria.
- Agora vamos, camelos! –
Tom chamou com a mão, parecendo um Chapolin Colorado. Pude até vê-lo dizer “Não
contavam com a minha astúcia!”.
Voltamos e chegando a sala
de visitas, fomos para o outro lado da lareira, onde tinha outra escada. Subimos
e veio um corredor parecido com o do núcleo dois:
- 1012, 1013, 1014, 1015,
1016, 1017... Hey! A nossa porta está aberta! – Max falou e reparamos a porta
escancarada.
- Vai ver o Charlie veio
aqui nos esperar. – Katy disse inocente.
- Aham, vai sonhando. – Tom
fez ironia.
- Será que vamos ser mortos
antes de espalharmos para o mundo que somos de Oxford? – falei dramática.
- Não brinca com isso amiga.
– Vicky agarrou-se ao meu braço, totalmente medrosa.
Sorri triunfante:
- Vai ver tem um serial
killer universitário aí dentro. – continuei – E ele pode gostar de garotas
birrentas... – olhei para minha amiga que arregalava os olhos cada vez mais
enquanto os outros escondiam a risada – Ou vai ver ele arranca o cérebro de
meninas inteligentes para fazer de enfeite para o seu apartamento! – estalei os
dedos como se fosse uma ideia repentina – Tá com medo amiga?
- O que você acha? – ela
quase gritou.
- O que acho... – apontei
para mim mesma – É que estou zoando com sua cara, querida. – sorri esperta.
- Ah, vai tomar no cu, Lucy!
– ela me soltou revoltada.
- Eu meteria um medo
melhor... – Tom disse convencido.
- Menos Tom. – Vicky falou –
Quase nada.
- Tá. – ele deu de ombros.
- Vamos entrar ou vamos
ficar discutindo ladainhas? – Katy disse séria – Temos um caso a resolver!
- Sério mesmo? – Max
perguntou – Porque até onde sei é apenas uma porta aberta.
- Que pode nos causar
problemas. – foi a vez do Nath se manifestar – Podem ter implantado drogas aí
dentro!
- Ai, meu Deus! – Katy
colocou as mãos no rosto, arregalando os olhos.
- Apenas podemos entrar
agora? – falei impaciente.
- Tá. Você primeiro... –
Vicky apontou.
- Claro que não! Vai o Tom
ou a Katy, são os que vão fazer menos falta. – encarei os dois.
- Eu acho que o Max vai
fazer menos falta. – ela retrucou.
- E eu acho que, você,
Victoria...
- Tá, caralho! – Tom quase
gritou – Eu vou primeiro!
Sorri satisfeita.
Morte! Morte! Morte!
- Hey? – ele disse colocando
o primeiro pé. Atrás dele vinha Vicky, agarrada a sua camisa, depois eu e o
Nath, Max e Katy – Hey? – repetiu agora com todos totalmente dentro – HARRY! –
gritou abrindo os braços.
- Tom! – o outro falou alto
sorrindo também.
Calma.
Espera.
Respira fundo.
Morro agora ou depois?
Não, deixa para depois
porque EU TENHO QUE ENTENDER ISSO AGORA!
- Aquilo... – comecei.
- É o Jay? – Vicky
completou.
Enquanto sussurrávamos, os
dois amigos se abraçavam receptivos:
- Ai, meu Deus! – disse para
mim mesma e logo Nath me olhou desconfiada. Sorri sem jeito.
- Porra, ele é gato! – Katy
falou baixo.
- É o meu ex! – recriminei.
- É gato, mas não presta. –
disse fechando os olhos.
- O que você faz aqui? – Max
falou e aos poucos pude ir sentindo meu coração voltar ao normal.
Que susto foi esse, Senhor?
Olhei para o teto tendo um monólogo interior:
- Estou em meu
apartamento... George. – olhou Max de cima abaixo – É... Parece menos babaca. –
disse com aquele mesmo sorriso convencido de sempre.
- Já começou errado,
McGuiness. – Max cerrou os olhos.
- E vocês, o que fazem aqui?
– perguntou ignorando o comentário do outro.
Nem se quer havia percebido
minha presença, ou ao menos fingiu não perceber uma pálida, quase morta, que se
tremia, de olhos arregalados, parada ali, no meio da sala de estar.
- Vamos morar aqui! – Tom
falou.
- Ah, porra! Quantos quartos
pegamos? – Max começou a catar no seu papel do alojamento.
- Quatro. – Vicky respondeu
rápido – E ele é o quarto inquilino. – sorriu de leve – Mundo pequeno.
- E como. – falei irônica.
Seus olhos azuis pousaram em
mim. Pude ver um sorriso simpático formar-se em seu rosto.
E eu pensando que ele ia
fingir que eu não existia... Ai, como eu sou boba às vezes!
- Eu só sei que não vou
morar no mesmo lugar que ele. – disse Max andando de um lado para o outro –
Esse cara quase fudeu com minha vida.
- Cara, isso é passado. –
Tom disse fazendo careta.
Parecia que havia uma linha
imaginária separando a sala. De um lado os bons amigos Parker e McGuiness, do
outro lado, os assustados: Eu, Nath, Vicky e Max. Katy era praticamente a
mascote do nosso time, já que não estava nem aí.
- Deveríamos fazer uma
votação. – finalmente Nath falou.
- Não é justo. – Tom olhou
para meu namorado – Você e Max votam contra, eu a favor... Vocês ganham e tudo
não passou de uma desculpa para colocar ele pra fora. – disse convincente.
- Cara, não se preocupe. –
Jay encarou o amigo – Quem decide não é nenhum deles, muito menos uma votação
besta. Se a faculdade me colocou aqui, nesse apartamento, não são eles que vão
decidir algo.
Ponto para o McGuiness!
- Acontece que... Acontece
que não vamos conseguir conviver em paz. – Max falou.
- Claro que vamos. Não se
meta na minha vida, que eu não me meto na sua. – Jay olhou com desdém para Max
– Já com o Sykes, não posso dizer a mesma coisa.
- É o que eu imaginava. –
Nath encarava-o sério, parecendo muito sexy nesse no momento.
Mas como eu era praticamente
a donzela desvirginada no meio de dois imbecis briguentos, não pude me despir
naquela sala e fazer uso do corpo sensual de Nathan Sykes:
- Enfim... – falei após me
imaginar fazendo o que não deve na frente dos outros – Estamos aqui para
visitar e analisar o apartamento e é isso o que vamos fazer. Se for para mudar
ou não mudar quem fica ou quem sai, podem resolver isso depois, quando já
estivermos aqui. – encarei a todos.
- Ela tem razão gente! –
Katy disse parecendo a única que estava pouco se fodendo para o clima tenso que
pairava na sala – Somos todos amiguinhos!
- Rhum! Só uma retardada
para querer o George. – Jay brincou.
E até senti vontade de rir.
Recebi um olhar engraçado da Vicky:
- Podemos olhar os quartos?
– minha amiga disse, apoiando-me.
- Podemos, Claro! – Tom
disse em tom aliviado por alguém ter fugido da idéia de fazer um julgamento
agora com o Jay.
Fomos para os quartos, mas
Tom não veio com a gente. Seguiu com seu amigo para o corredor do lado de fora.
Entrando no primeiro, Max
pareceu adorá-lo e Vicky, queria falar comigo:
- Amiga! – ela sussurrou
forte me tirando de um transe de compreensão da minha existência.
- Oi? – falei no mesmo tom,
deixando-a me levar para longe do Nath.
- O que foi aquilo? –
arregalou os olhos.
- Eu não sei, minha filha.
Mas ainda estou rezando. – olhei para o teto.
- Para de imitar essa cara
de lesada do Nathan! – reclamou dando um puxão no meu braço – O que vai fazer?
- Eu? – apontei para mim –
Nada. Já você, - apontei para minha amiga – Irá falar com seu namorado.
- Falar o que? ‘Olha Tom, ou
eu ou o Jay’. – imitou uma voz de homem e revirei os olhos.
- Não. Você vai convencê-lo
a não deixar o Jay ficar. Ele é o único a favor dessa destruição de minha vida.
– falei cabisbaixa – Você acha que ele é mais amigo do Nath ou do Jay?
Vicky me encarou séria:
- Sinceramente... Eu não
sei. – deu de ombros – Certo deveria ser o Nathan, já que se conhecem a mais tempo,
mas... O que fizemos ano passado, de fugir para Miami, fez com que os dois
criassem uma forte ligação. – explicou.
Concordei com a cabeça:
- Infelizmente penso o mesmo
que você. – assumi.
- Posso saber do que falam?
– me assustei ao ouvir a voz do meu namorado. Não consegui disfarçar minha boca
aberta.
- Desculpe, mas vou fugir. –
minha amiga sorriu forçado e me deixou a sós com a encrenca.
- Do que conversavam? – Nath
me olhou desconfiado.
- De coisas de garota. –
menti – Absorvente.
- Sei. – me encarou sério –
Vai mesmo mentir para mim, que sou seu namorado e melhor amigo?
Pausa.
Ok, Nathan Sykes, você me
pegou:
- Estávamos falando sobre o
Jay. – coloquei para fora diretamente.
- Imaginei. – Nath suspirou
cruzando os braços.
- Eu pedi para Vicky conversar
com o Tom, tentar fazê-lo mudar de opinião. – mexi as mãos tentando disfarçar o
nervosismo.
- Aham. – ele concordou com
a cabeça – Acho que não vai dar certo.
- Pode ser um pouco
otimista? – sussurrei – Deixe o pessimismo para mim. – ri, pois sempre nessas
horas eu me apegava a probabilidade de me fuder e não de dar certo.
- Desculpe. – Nath sorriu
fraco colocando suas mãos grossas em meu braço e me puxando para um abraço –
Mas é que no meio de tanta coisa boa apareceu um filho da puta.
- Eu entendo. Eu fiquei
assustada, você também e agora somos baratas tontas. – sorri sentindo o cheiro
do seu desodorante – Você já viu seu quarto?
- Lucy Mason e a arte de
mudar de assunto. – brincou – Vamos ver com qual fico.
- Com qual quarto fica? – Tom
apareceu de repente quando nos colocamos no corredor do apartamento – O meu é o
melhor, você fica com o resto.
- Esse daqui é meu. – Max
falou colocando a cara para fora do portal – Se vocês quiserem brigar, briguem.
- O meu já foi marcado, é
aquele. – Jay apontou para qualquer um por ali.
Mal ele disse e dois seres
começaram a correr pelo corredor:
- Sai! Eu vou ver primeiro!
– Tom puxava a camisa do Nath que ficou para trás.
- Ver primeiro porra
nenhuma, seu anão de merda! – Nath descontou puxando o cabelo de Tom que gemeu
de dor – Você ta me devendo um quarto. – reclamou, se referindo ao fato do
garoto ferrar com a amizade deles por causa do Jay.
Meu namorado entrou no
primeiro que viu, trancando a porta:
- ELE TEM VISTA PROS
JARDINS, DOUGIE! – gritou – VOCÊ PERDEU!
- Ah, e esse que me sobra? –
apontou com o dedo – O que fica em frente ao banheiro?
- Vai dormir sentindo seu
próprio cheiro. – Katy disse – Cheiro de caquinha!
- Wow! Mandou bem, amiga! –
bati em sua mão, rindo.
- Lu? – Nath abriu um pedaço
da porta – Vem! – corri rápido antes que Tom me impedisse.
Depois de curtimos a sua
cama discretamente, chegou a hora de voltarmos para casa... Uma casa que,
graças a Deus, ficava longe de Jay McGuiness.

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